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George, o coach frente amplista

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  George, o coach frente amplista – Fulgêncio Pedra Branca. Há aqueles dias em que a distopia é tão grande que a gente se sente como aqueles japoneses deixados em alguma ilha do pacífico, que 40 anos depois, achavam que a Segunda Guerra Mundial não tinha terminado. Ultimamente, este velho dinossauro marxista tem se sentido um sobrevivente da guerra fria, algo como aquela mãe do filme “Adeus Lênin”. É um sentimento agônico, mas, de certa forma, ainda é um refúgio contra o avanço de uma esquerda BBB que acha que faz luta de classes eliminando um racista no programa da Globo, mas financiando a imbecilidade coletiva. O Brasil virou uma grande distopia, entre sociopatas antivacinas, terraplanistas anarcocapitalistas e supremacistas brancos tupiniquins mestiços, só é possível sobreviver enxugando uma ou duas garrafas de boa cachaça diariamente. Como diria Vinícius, “hay dias que não sei lo que me pasa, eu abro meu Neruda e abraço o sol, misturo poesia com cachaça, e fico discutin...

A verdadeira história de Al Cki Min, o refugiado vietcongue oculto dentro das hostes inimigas tucanas – Fulgêncio Pedra Branca.

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  A verdadeira história de Al Cki Min, o refugiado vietcongue oculto dentro das hostes inimigas tucanas – Fulgêncio Pedra Branca. Depois de não poder comer de graça peru e bacalhau gadus morhua no natal, por ter brigado com 99,99% da minha família bolsonarista, e não querer passar a ceia com minha namorada Namastê (ceia vegetariana no natal é espírito pós muderno demais para este ogro velho), tive sérias dificuldades de arrumar uma casa para me convidar para comer de graça nos festejos de nascimento do filho do amigo imaginário. Além de alcoólatra, hipocondríaco e sincericida, padeço do mal de ser ateu num dos países mais crédulos do mundo. Basta eu dizer que sou ateu que a pessoa do outro lado começa a sentir o cheiro do enxofre e ver chifres saindo da minha testa e um rabo pontiagudo balançado festeiramente tentando a pessoa com as delícias do pecado. Mas tenho minha reserva de meia dúzia de 3 ou 4 comunistas ricos, não digo de iphone, porque são velhos como eu, e pre...

Raloim x Saci, a batalha do século.

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  Raloim x Saci, a batalha do século. Como todos sabem, sou sexagenário e muito pouco afeito a esta coisa da internet. Sinto muita falta da minha máquina de escrever Remington 25, e vira e mexe aperto alguma tecla e some metade do texto neste notebook velho, doado por um primo melhor dotado financeiramente (gostaram do uso do tucanês no texto?). Disseram que para eu voltar ao mercado de trabalho teria que me atualizar, aí saíram me inscrevendo em instagram, twitter, facebook o diabo a quatro, para eu dar conta do mundo virtual. O mundo virutal é, como diria Renato Russo, uma festa estranha com gente esquisita. Tive que aprender uma tal de trending topics, achei que fosse pipoca de micro-ondas, mas é, apenas, uma espécie de onda do momento, em que você tem que surfar para alcançar um número maior de seguidores. O velho Umberto Eco já “lacrou” uma vez dizendo que as redes sociais deram voz a uma multidão de imbecis. Se a pessoa tiver um computador e conseguir dizer a efemérid...

Iemanjá recusou a oferenda

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  Por: Fulgêncio Pedra Branca* Por estar desempregado e por absoluta falta do que fazer, resolvi dar uma caminhada matinal na Praia da Copacabana, para ver se conseguia filar um chope ou uma cerveja, de algum amigo desavisado, nos arredores. Quando caminhava, distraído, vi meia dúzia de gatos pingados, vestidos de branco de cima a baixo. Logo me animei, em festas de Iemanjá, Iansã e Ogum, sempre tem marafo (1). O plano era simples, misturar-me ao povo de santo, acompanhar a procissão até o mar e filar uma boia e uma cachaça. Velho e meio cegueta, só comecei a tentar entender o que acontecia me aproximando daquela micareta esquizofrênica. Primeiro pensei que fosse a reedição da revoada das galinhas verdes, vi bandeiras supremacistas brancas, bandeiras monarquistas, faixas de Lula Ladrão, fora PT e coisas afins, para minha surpresa e total desentendimento, logo vi mesclado, naquele exército de Brancaleone, 3 ou 4 bandeiras comunistas, umas duas do partido do Solzinho amarelo (propaga...
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O churrasco com Namastê – Fulgêncio Pedra Branca. Nestes tempos muito bicudos, o que me resta é apelar para os amigos para tentar, no rateio, mordiscar um pedacinho de carne chamuscada. Todos sabem que além de alcóolatra, hipocondríaco, desempregado e de viver de bicos, também sou um homem velho. Um dinossauro de uma outra geração, um dinossauro sobrevivente da guerra fria, que guarda com carinho seu modelo de T34 na estante de mogno inglês, relíquia e herança de meu velho pai, também ateu e comunista. Todavia, tenho tentando me modernizar, desde que comecei a namorar Namastê, uma jovem senhora participante não filiada de um mandato do partido do solzinho, a quem conheci numa perfomance pós moderna de teatro da PUC, encenada na laje da favela do Urubu. Tem sido uma tarefa inglória aprender o vocabulário e a gramática identitária, e todas as variações do que posso e não posso falar toda vez que saio com ela para um restaurante vegetariano macrobiótico integral identitário polit...